Temas em Análise nº 354: Vendas do Varejo caem em Dezembro e fecham 2025 com forte Desaceleração

Vendas do Varejo Caem em Dezembro e Fecham 2025 com Forte Desaceleração

 

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em dezembro, as vendas do varejo restrito (que não incluem veículos, material de construção e “atacarejo”) registraram queda de 0,4%, em termos mensais, livres de efeitos sazonais, resultado próximo às expectativas de mercado. Na comparação interanual, as vendas aumentaram 2,3%, fechando 2025 com expansão de 1,6% (ver tabela abaixo), em linha com nossa projeção (1,5% - ver gráfico na página seguinte), ante crescimento de 4,1%, registrado em 2024. As vendas do varejo ampliado (que inclui todos os segmentos) apresentaram resultado pior do que o esperado, em termos mensais, ao recuar 1,2%, com ajuste sazonal. No contraste com dezembro do ano passado, houve alta de 2,8%, terminando 2025 próximo à estabilidade (0,1%), frente ao crescimento de 3,7%, observado em 2024.

Os juros elevados, além do alto grau de endividamento das famílias, são os principais fatores que explicam a intensa desaceleração do varejo, apesar dos aumentos de emprego e renda observados durante o ano passado.

Em termos anuais, sete das oito atividades do varejo restrito apresentaram crescimento, em geral, menos intenso que o registrado em 2024. Houve aumento do volume comercializado de hipermercados e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo; equipamentos e material de escritório, informática e comunicação; móveis e eletrodomésticos; combustíveis e lubrificantes; artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria; tecidos, vestuário e calçados e outros artigos de uso pessoal e doméstico e redução do volume comercializado de e livros, jornais, revistas e papelaria. No varejo ampliado, itens mais ligados ao crédito, tais como veículos e material de construção, além do “atacarejo”, apresentaram quedas.

Em síntese, tanto o varejo restrito quanto o ampliado mostraram forte desaceleração em 2025,
devido aos efeitos negativos da maior taxa de juros e do alto grau de endividamento das famílias. Na medida em que esses fatores continuem se sobrepondo aos aumentos da renda e do emprego, nosso modelo projeta que as vendas do varejo restrito continuariam desacelerando, de forma gradual, durante o primeiro trimestre de 2026 (ver gráfico na página seguinte), mostrando maior volatilidade nos segmentos mais ligados ao crédito.

 
 

Por IEGV - Instituto de Economia Gastão Vidigal - 23/02/2026