Sistema do Associativismo quer maior representação em 2026

FLORIANÓPOLIS — O líder do sistema do associativismo, que integra a Associação Comercial de São Paulo, a Federação das Associações Comerciais do Estado de SP e a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, Alfredo Cotait Neto, convocou empresários de todo o país a ampliar a participação política do setor produtivo nas eleições de 2026 e defendeu mudanças estruturais no sistema eleitoral brasileiro durante a abertura da plenária do segundo dia do Conexa 2026, em Florianópolis. O encontro, promovido pela Associação Comercial e Industrial de Florianópolis, reuniu mais de 4 mil participantes no CentroSul e antecede o 4º Encontro Nacional de Fortalecimento do Associativismo, marcado para o dia 20 de maio na capital catarinense.

 

Ao discursar para lideranças empresariais e representantes de associações comerciais de diferentes estados, Cotait afirmou que o sistema associativo brasileiro possui capilaridade suficiente para influenciar a composição do próximo Congresso Nacional. Segundo ele, a crise enfrentada pelo país ultrapassa o campo fiscal e atinge a representação política. “Nossa força vem da base, de vocês que estão nas associações comerciais, nos municípios, onde estão os problemas”, afirmou.

 

O presidente da Associação Comercial de São Paulo, da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo e também da Confederação (CACB) também voltou a defender a adoção do voto distrital no Brasil. Pela proposta apoiada pelo associativismo, cada estado seria dividido em distritos equivalentes ao número de deputados federais, com um parlamentar eleito por região. Na avaliação da entidade, o modelo aproximaria eleitores e representantes e ampliaria a capacidade de cobrança sobre os mandatos.

 

Na área econômica, Cotait criticou novamente a política de isenção para importações de até 50 dólares, conhecida como “taxa das blusinhas”. Segundo ele, a medida cria desequilíbrio concorrencial ao beneficiar produtos estrangeiros sem conceder tratamento equivalente à produção nacional. O sistema do associativismo propõe que mercadorias fabricadas no Brasil com valor de até R$ 250 também tenham isenção tributária.

 

O Simples Nacional ocupou espaço central na pauta do encontro. O Projeto de Lei Complementar 108/2021, que prevê reajuste de 83% nos limites de faturamento do regime, foi apresentado pela entidade como prioridade para micro e pequenas empresas. Pelos cálculos do sistema do associativismo, a atualização pode gerar quase 900 mil empregos formais e adicionar R$ 34,3 bilhões à massa salarial do país. A proposta eleva o teto do MEI de R$ 81 mil para R$ 145 mil anuais, o das microempresas de R$ 360 mil para R$ 870 mil e o das empresas de pequeno porte de R$ 4,8 milhões para R$ 8,7 milhões.

 

Outro tema abordado foi a discussão sobre redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1. Cotait reiterou a posição do sistema e de mais de 60 entidades empresariais favoráveis ao adiamento do debate para 2027. O argumento apresentado é que alterações dessa dimensão não deveriam ser votadas em ano eleitoral sem análise técnica aprofundada e participação mais ampla do setor produtivo.

 

A escolha de Florianópolis para sediar o Conexa 2026 ocorre em um momento de forte desempenho econômico de Santa Catarina. O estado encerrou 2025 com taxa de desemprego de 2,2%, a menor do país, frente à média nacional de 5,6%, além de crescimento econômico de 4,7% entre janeiro e outubro, mais que o dobro da média brasileira. Santa Catarina também registrou abertura de 140 mil empresas em 2025, maior volume desde o início da série histórica da Junta Comercial do Estado, alcançando 1,64 milhão de negócios ativos em fevereiro de 2026.

Por ACSP - 19/05/2026