Ratinho Jr., Leite e Caiado debatem “Propostas para o Brasil” na ACSP

Nesta segunda-feira (09), a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) recebeu a visita dos governadores Carlos Massa Ratinho Jr. (Paraná), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ronaldo Caiado (Goiás), que participaram da reunião do Conselho Político e Social (COPS) para debaterem suas propostas para o Brasil.

Os três governadores são cotados para disputar a Presidência da República, nas eleições de outubro, pelo Partido Social Democrático (PSD). Eles discutiram uma série de temas considerados estratégicos para o desenvolvimento do País, como a necessidade de ampliar os mecanismos de transparência no uso do dinheiro público, com medidas que reforcem o controle e a fiscalização dos gastos governamentais; reforma tributária; e maior protagonismo dos municípios no cenário político nacional.

Abrindo o evento, Roberto Mateus Ordine, presidente da ACSP, afirmou que “estava muito feliz em vivenciar esse momento histórico para esta Casa ao reunir os três governadores, bem mais avaliados, para discutir propostas para o Brasil”.

Ao iniciar o seu discurso, Caiado afirmou que considerava uma oportunidade ímpar discutir ideias a partir das experiências acumuladas na vida pública. “O País precisa enfrentar os problemas estruturais ‘na raiz’, especialmente diante dos desafios econômicos e políticos que o Brasil enfrenta”.

Caiado também fez críticas diretas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele afirmou que, desde a primeira campanha presidencial do líder petista, em 1989, o partido promete erradicar a pobreza no Brasil. “Após cerca de 20 anos no poder, o discurso continua sendo repetido todos os anos, sem que a pobreza tenha sido erradicada no País”, declarou.

Ao destacar a gestão em Goiás, o governador citou avanços na área educacional e de segurança pública. Segundo Caiado, o estado ocupa o primeiro lugar no índice de desenvolvimento da educação básica e possui um dos menores índices de evasão escolar do País. Ele também afirmou que o enfrentamento ao crime foi uma das principais bandeiras de sua gestão. “Governa-se pelo exemplo de vida e não apenas pelo discurso”, disse.

Leite defende uma uma idade mínima de 60 anos para ingresso no STF

Já Eduardo Leite afirmou que o debate político no País precisa ir além das disputas individuais e da polarização ideológica. O governador gaúcho também defendeu que o Brasil priorize o aumento da produtividade antes de discutir mudanças como redução de jornada de trabalho ou alterações na carga tributária. Para ele, medidas desse tipo, quando adotadas sem base econômica sólida, podem gerar riscos à nação. “Se um país que não tem capacidade produtiva comparável a outras nações ousa dar esse passo de maneira demagógica, pode caminhar para um suicídio econômico”, explicou.

Leite ainda destacou que é possível construir diálogo entre diferentes correntes políticas. “É possível conversar com a esquerda não lulista e com a direita não bolsonarista em busca de uma terceira via”, afirmou.

O governador também defendeu um Estado mais eficiente e menos oneroso para a máquina pública, permitindo que mais recursos sejam direcionados para políticas sociais. Como exemplo, citou programas no Rio Grande do Sul que devolvem impostos pagos para cerca de 600 mil famílias de baixa renda, destacando que o estado apresenta um dos menores índices de extrema pobreza do País.

Entre suas propostas institucionais, Leite mencionou a defesa de uma idade mínima de 60 anos para ingresso no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele também criticou a falta de planejamento estratégico nacional. “Enquanto outras nações discutem agendas de 20, 30 ou 50 anos, nós discutimos o dia seguinte”, afirmou.

“A justiça social precisa ser uma obrigação do poder público”, diz Ratinho Jr.

O governador Ratinho Jr. também destacou a necessidade de planejamento de médio e longo prazo no Brasil. “O País precisa ir além de programas de governo e construir um projeto de geração. Cada prefeito ou governador cuida apenas dos seus quatro anos de mandato e o próximo que resolva. Não aprendemos a planejar a médio e longo prazo”, afirmou.

Ratinho Jr. disse ainda que o debate nacional não deveria se concentrar em ideologia, mas em metodologia de gestão. Ele se definiu como alguém do campo da centro-direita, defendendo liberdade econômica, liberdade de expressão e políticas de valorização da vida.

Para o governador paranaense, a população brasileira demonstra cansaço com o ambiente de polarização política. “Hoje, cerca de 70% da população não aguenta mais essa briga. O Brasil precisa de paz institucional e planejamento de médio e longo prazo”, enfatizou.

Ratinho Jr. também ressaltou a importância das políticas sociais e defendeu que elas devem estar presentes em qualquer campo político. “A justiça social precisa ser uma obrigação do poder público, estendendo a mão para quem mais precisa”, disse.

Ele ainda falou sobre um Estado menos pesado para o trabalhador, com menor carga tributária, e destacou o potencial do Brasil para agregar valor à produção agrícola. “Não basta produzir alimentos. Precisamos industrializar, exportar produtos com maior valor agregado e gerar riqueza dentro do País”, concluiu.

Durante o encontro, os governadores avaliaram que o Brasil precisa superar disputas políticas improdutivas e construir agendas estruturais capazes de promover crescimento econômico, redução das desigualdades e maior competitividade internacional.

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Por ACSP - 09/03/2026