Processo eleitoral de 2026 exige debate sobre os desafios estruturais do País, avaliam lideranças no COPS

Imagens: Edu Guimarães 

Prosseguindo com seu propósito de dar voz diferentes atores do cenário nacional, o Conselho Político e Social da Associação Comercial de São Paulo (COPS/ACSP) reuniu, nesta segunda-feira (6/7), lideranças políticas na sede da entidade, durante o encontro "O Brasil de Hoje e o Processo Eleitoral".

Mais do que analisar cenários e possíveis candidaturas, o debate buscou entender quais os temas que realmente definirão o futuro do Brasil — e quais continuam fora da agenda política.

Na abertura do encontro, o senador Heráclito Fortes, coordenador do COPS, defendeu que o ambiente eleitoral precisa ser marcado pela discussão de propostas concretas.

"É fundamental entrar em uma campanha com candidatos que tenham propostas de governo claras. A nossa ideia aqui é ouvir vozes com sólida consciência política e administrativa para discutir o Brasil de hoje e projetar o futuro."

Ao analisar o cenário político, o ex-deputado federal Benito Gama afirmou que o Brasil vive uma profunda transição de lideranças. Integrante da Assembleia Constituinte de 1988, ele comparou o momento atual ao período de reconstrução institucional do País e destacou que o desafio agora é preparar uma nova geração capaz de assumir esse protagonismo.

 

Polarização que ofusca

Outro tema recorrente foi a polarização política. Para o ex-ministro Jutahy Magalhães, o ambiente eleitoral continua marcado pela divisão entre os projetos de continuidade e mudança, dificultando o diálogo entre diferentes correntes de pensamento. "Vivemos uma polarização doentia. Antigamente, dialogávamos com todas as correntes; hoje, as lideranças se fecham em suas bolhas de informação."

Na avaliação do ex-prefeito de Porto Alegre Nelson Marchezan, enquanto o debate político concentra atenções na disputa eleitoral, reformas consideradas essenciais para aumentar a eficiência do Estado seguem perdendo espaço. "A realidade é que ninguém se elege falando de reforma, mas elas são justamente o que o Brasil precisa hoje."

Marchezan também chamou atenção para a crescente influência das estratégias digitais sobre o comportamento do eleitorado, defendendo que a comunicação passou a exercer papel decisivo nas campanhas contemporâneas.

Encerrando o encontro, o ex-ministro Roberto Brant defendeu maior mobilização da sociedade civil organizada diante dos desafios econômicos e institucionais do País. Para ele, o período pré-eleitoral representa uma oportunidade para ampliar o debate sobre governabilidade, responsabilidade fiscal e desenvolvimento.

"Os setores que estão preocupados com o futuro do País precisam se mobilizar e exercer pressão. Precisamos reagir com um poder político de cooperação. O processo eleitoral começa agora."

Por ACSP - 06/07/2026