CPU realiza palestra “São Paulo Viva, Viva o Centro”

Nesta quarta-feira (18), o Conselho de Política Urbana (CPU), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), em parceria com a Associação Viva o Centro São Paulo, promoveu a palestra “São Paulo Viva, Viva o Centro”, ministrada por Henrique de Campos Meirelles, fundador e presidente de honra vitalício da Associação Viva o Centro São Paulo, e por Edison Nassif Farah, presidente da Associação Viva o Centro São Paulo para o período 2024–2028.

Compuseram a mesa, além dos palestrantes, Roberto Mateus Ordine, presidente da ACSP; Marcos Nascimento, vice-presidente da ACSP; Antonio Carlos Pela, coordenador do CPU e vice-presidente da ACSP; e Milton Santos, presidente da ACCredito.

Ao abrir o encontro, Ordine declarou: “Todos nós nos sentimos honrados em ouvir a palestra de Meirelles, que é exemplo de trabalho e eficiência”.

Antonio Carlos Pela destacou a relevância do encontro e a importância dos temas relacionados ao Centro de São Paulo. “Em 2026, a Viva o Centro, fundada em 1991, completa 35 anos de atuação em defesa e revitalização da região central, marco que foi celebrado pelos presentes. Além disso, a ACSP alcançará, ao final deste ano, 132 anos de história, período durante o qual acompanhou de perto as transformações do Centro”, ressaltou.

Pela também lembrou que, ao longo das últimas décadas, diversos planos e iniciativas voltados ao Centro foram lançados por diferentes administrações municipais, desde os anos 1970, como o Projeto Ação Centro, o programa Volta ao Centro, o Centro Novo, o Centro Aberto, entre outros. “Apesar dos esforços, muitos desses projetos não tiveram continuidade devido às mudanças de governo, já que novas gestões frequentemente interrompiam as ações iniciadas pelas anteriores. Esse padrão também ocorreu no âmbito estadual. No contexto atual, entretanto, destacou-se a expectativa de maior alinhamento entre governo municipal e estadual, com ações convergentes e continuidade administrativa, fator considerado essencial para resultados duradouros, especialmente em um ano eleitoral”, pontuou.

Henrique Meirelles comentou sobre a importância histórica, cultural e econômica do Centro de São Paulo para a identidade da cidade. “O deslocamento progressivo de atividades para outras regiões, como a Avenida Paulista e novos eixos empresariais, trouxe desafios logísticos e urbanos, ao mesmo tempo em que reforçou o valor estratégico de um centro ativo, bem conectado e acessível por transporte público. A revitalização da área central foi apontada como benéfica para empresas, trabalhadores e para o funcionamento da metrópole como um todo”. Complementou dizendo que “a restauração de edifícios antigos, respeitando características originais e incorporando novos usos, mostrou-se capaz de gerar espaços culturais e institucionais de alto nível, valorizados inclusive internacionalmente. Esses casos ilustram como a preservação da memória urbana pode caminhar junto com o desenvolvimento econômico e social”.

Edison Nassif Farah destacou sua trajetória de vida e o longo envolvimento com as causas do Centro de São Paulo. Aos 80 anos, relembrou que a Vivo Centro completa 35 anos de atuação em outubro, ressaltando o papel histórico da entidade e da sociedade civil na defesa e revitalização da região central. Recordou ainda mobilizações realizadas há cerca de três décadas, como a insistência junto ao governo estadual para a retomada das atividades no Palácio dos Campos Elíseos, entendida como essencial para conter a degradação urbana e estimular a recuperação do Centro.

“A criação de um novo centro administrativo estadual, prevista para os próximos anos, representa uma iniciativa estratégica capaz de transformar a dinâmica urbana e econômica da cidade, reforçando o papel de São Paulo como metrópole global. Ao mesmo tempo, destacou-se a necessidade de formar novas lideranças capazes de dar continuidade a esse trabalho, considerando os desafios do século 21”.

Nesse contexto, Farah chamou atenção para as profundas transformações tecnológicas em curso, especialmente o avanço da inteligência artificial e da computação quântica, que já impactam a economia mundial e a geopolítica internacional. “Esses fatores influenciarão diretamente o futuro das cidades, inclusive São Paulo, que deverá receber novas populações em busca de oportunidades e enfrentar debates sobre energia, minerais estratégicos e custo de vida”. Por isso, defendeu que “as instituições públicas, privadas e da sociedade civil precisam modernizar seus modelos de atuação para acompanhar a velocidade dessas mudanças”, finalizou.

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Por ACSP - 18/03/2026