Augusto Cury defende reconciliação nacional, empreendedorismo e projeto de país em encontro na ACSP

O médico psiquiatra, escritor e pré-candidato à Presidência da República pelo Avante, Augusto Cury, participou nesta segunda-feira de uma reunião promovida pelo Conselho Político e Social (COPS) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), na capital paulista. O encontro marcou a terceira participação de presidenciáveis na entidade e reuniu empresários, lideranças associativistas e representantes do sistema das associações comerciais de todo o país.

Na abertura do evento, o presidente da ACSP, Alfredo Cotait Neto, ressaltou a necessidade de ampliar o debate nacional sobre desenvolvimento econômico, empreendedorismo e segurança jurídica, defendendo maior protagonismo da sociedade civil organizada nas discussões estruturais do país.

Segundo Cotait, o setor produtivo enfrenta um cenário de insegurança econômica, pressão tributária e aumento de custos que afetam especialmente pequenos e médios empreendedores.

“Precisamos trabalhar para a construção de um novo momento para o Brasil, com representantes verdadeiramente comprometidos com quem produz, empreende, gera emprego e sustenta o desenvolvimento econômico do país”, pontuou o líder do associativismo, que também está à frente da CACB e da Facesp.

Também integraram a mesa o ex-senador e coordenador do Conselho Político e Social da ACSP, Heráclito Fortes; o secretário Extraordinário de Projetos Estratégicos do Governo do Estado de São Paulo e ex-presidente da ACSP, Guilherme Afif Domingos; e o vice-presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo e da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, Roberto Mateus Ordine.

 

 

Presidente da ACSP, Alfredo Cotait Neto
Presidente da ACSP, Alfredo Cotait Neto

foto: André Lessa

 

Polarização, democracia e reconstrução do diálogo

Ao longo da palestra intitulada “O Brasil dos nossos sonhos”, Augusto Cury concentrou boa parte de sua exposição na defesa da redução da polarização política e na necessidade de reconstrução do diálogo nacional. Para ele, o ambiente político brasileiro se tornou excessivamente hostil e emocionalmente desgastante.

“O representante político foi eleito para servir à sociedade, não para dividi-la”, observou.

Cury criticou os extremos ideológicos e defendeu uma política baseada em projetos, não em ataques pessoais.

“Os extremos se alimentam mutuamente. A extrema direita precisa da extrema esquerda para justificar sua radicalização. A extrema esquerda precisa da extrema direita para manter seu próprio discurso radical”, comentou.

Em um dos trechos mais enfatizados do encontro, o pré-candidato sustentou que o país precisa superar divisões políticas e construir um projeto coletivo.

“Não estamos em dois barcos, um da direita e outro da esquerda. Estamos em um único barco chamado Brasil. E, se ele afundar, afundaremos todos juntos”, destacou.

Ao analisar o cenário político nacional, Augusto Cury acrescentou que projetos de perpetuação no poder fazem mal à democracia e contribuem para o agravamento da polarização e defendeu alternância democrática e renovação institucional. “A perpetuação no poder faz mal para qualquer democracia, independentemente de quem esteja governando”, avaliou.

Na sequência, argumentou que o país precisa voltar a discutir projetos estruturais de longo prazo, acima de interesses eleitorais e disputas personalistas. “O Brasil precisa ser maior do que projetos pessoais, partidários ou de poder”, frisou.

 

Reforma do STF, voto distrital e pacto federativo

Ao tratar do funcionamento das instituições, Augusto Cury defendeu uma ampla reforma no Supremo Tribunal Federal (STF), dizendo que o país precisa discutir mecanismos de renovação e maior equilíbrio entre os Poderes.

Segundo ele, ministros da Corte deveriam deixar de ter cargos vitalícios e passar a cumprir mandatos temporários, com escolha mais técnica e menos politizada. “Defendo mandatos de oito anos para ministros do Supremo, sem recondução, e que as próprias classes jurídicas participem mais ativamente da escolha dos integrantes da Corte”, explicou.

Cury argumentou que mudanças institucionais devem buscar previsibilidade, segurança jurídica e fortalecimento democrático, evitando excessiva concentração de poder em qualquer esfera institucional.

O pré-candidato também defendeu a adoção do voto distrital misto como forma de aproximar representantes políticos das demandas locais e ampliar a conexão entre parlamentares e comunidades.

Segundo ele, o modelo atual muitas vezes distancia o cidadão da representação política e dificulta a fiscalização popular. “O eleitor precisa saber quem representa sua região, sua comunidade e seus problemas concretos”, ressaltou.

Na avaliação de Cury, o fortalecimento das bases locais poderia ampliar a participação popular e tornar o debate político menos distante da realidade cotidiana da população.

Outro ponto defendido pelo psiquiatra foi a revisão do pacto federativo, com maior descentralização de recursos e fortalecimento financeiro de estados e municípios. “O Brasil é grande demais para continuar excessivamente concentrado em Brasília. Estados e municípios precisam ter mais autonomia para enfrentar seus próprios desafios”, argumentou.

Segundo ele, regiões vulneráveis e cidades periféricas precisam ter maior capacidade de investimento em infraestrutura, educação, saúde e segurança pública.

 

 

Pré-candidato à Presidência pelo Avante, Augusto Cury
Pré-candidato à Presidência pelo Avante, Augusto Cury
foto: André Lessa

 

Crédito, juros e defesa do pequeno empreendedor

Na área econômica, Augusto Cury defendeu maior apoio ao empreendedorismo, ampliação do crédito produtivo e redução do custo financeiro para empresas e famílias.

Segundo ele, o ambiente econômico atual penaliza especialmente comerciantes, pequenos empresários e produtores rurais. “O pequeno e médio empresário brasileiro, muitas vezes, trabalha apenas para sobreviver. E isso é incompatível com um país que quer crescer”, observou.

Cury também criticou os juros elevados e o impacto do endividamento sobre famílias e empresas. “Precisamos de um ambiente onde o crédito sirva para construir crescimento, não para aprisionar pessoas e empresas”, analisou.

O pré-candidato defendeu ainda uma “economia distribuída”, baseada no fortalecimento de micro e pequenas empresas, cooperativismo e empreendedorismo regionalizado.

 

Inteligência artificial, educação técnica e futuro do trabalho

Outro eixo central da palestra foi a transformação do mercado de trabalho diante da inteligência artificial e da automação. Augusto Cury alertou que o Brasil precisa acelerar investimentos em educação técnica, inovação e formação profissional. “A inteligência artificial não é algo do futuro. Ela já está entre nós”, salientou.

Segundo ele, o país ainda possui um modelo educacional excessivamente teórico e pouco conectado às demandas da nova economia. “Precisamos formar técnicos, gestores e profissionais preparados para a nova economia: tecnologia, saúde, gestão, logística, agro, indústria, comércio e inovação.”

Cury também propôs a criação de milhares de escolas de empreendedorismo em comunidades, periferias e pequenas cidades como forma de ampliar a inclusão produtiva e preparar jovens para as mudanças tecnológicas.

Segundo o pré-candidato, o país precisa ensinar crianças e adolescentes a lidar com ansiedade, frustração, medo e conflitos humanos desde cedo. “Precisamos ensinar o ser humano a compreender a própria mente”, disse.

Ele também defendeu maior presença de programas de inteligência emocional nas escolas, empresas e espaços públicos. “Não existe prosperidade sustentável sem saúde mental”, reforçou.

 

 

Cury: “Não existe prosperidade sustentável sem saúde mental”
Cury: “Não existe prosperidade sustentável sem saúde mental”
foto: André Lessa

 

Segurança pública, guardas municipais e sistema prisional

Na área de segurança pública, Augusto Cury argumentou que o enfrentamento da violência exige presença do Estado, prevenção e maior integração social nas comunidades.

O pré-candidato defendeu a ampliação da atuação das guardas municipais e sugeriu a criação de comitês sociais de segurança e orientação emocional — chamados por ele de “comitês SEO” — voltados à aproximação entre poder público, escolas, famílias e comunidades vulneráveis.

“Não basta apenas combater o crime organizado. Precisamos combater também a desorganização social e emocional que muitas vezes antecede a violência”, ponderou.

Segundo ele, guardas municipais podem exercer papel importante na proteção urbana e na prevenção de conflitos locais, especialmente em parceria com ações sociais, educacionais e comunitárias. “As guardas municipais podem ajudar muito na prevenção, na proximidade com a população e na construção de ambientes mais seguros”, acrescentou.

Ao comentar o sistema carcerário brasileiro, Cury avaliou que o país enfrenta um modelo prisional desorganizado e pouco eficiente na recuperação social. “O Brasil aprisiona muito e aprisiona mal”, criticou.

Segundo ele, o sistema penitenciário precisa incorporar educação, profissionalização, apoio psicológico e reinserção produtiva para reduzir reincidência criminal e enfraquecer o crime organizado. “Quando o sistema apenas aprisiona sem recuperar, ele frequentemente devolve à sociedade pessoas ainda mais fragilizadas e vulneráveis ao crime”, alertou.

O psiquiatra falou, ainda, sobre a chamada "Lei Augusto Cury". 

 

Saúde mental, juventude e relações humanas

O psiquiatra abordou os impactos emocionais da hiperconectividade, da ansiedade e da sobrecarga digital sobre crianças, adolescentes e adultos. “Vivemos uma era de intoxicação digital”, refletiu.

Cury chamou atenção para o crescimento de problemas emocionais entre jovens e defendeu que a saúde mental passe a ocupar posição mais estratégica nas políticas públicas. “Não existe desenvolvimento econômico consistente em uma população emocionalmente adoecida”, enfatizou.

Na reta final da palestra, também voltou a defender políticas públicas voltadas à prevenção de transtornos emocionais entre crianças e adolescentes. Segundo ele, o país precisa incorporar acompanhamento emocional preventivo desde os primeiros anos de vida, inclusive com avaliações periódicas de saúde mental na infância.

O pré-candidato mencionou propostas ligadas à chamada “Lei Augusto Cury”, defendendo que crianças de zero a doze anos tenham acompanhamento anual especializado como forma de identificar precocemente sinais de sofrimento emocional, violência doméstica, abuso sexual, ansiedade e outros transtornos psíquicos. “Precisamos ensinar o ser humano a compreender a própria mente”, disse.

Segundo ele, o país precisa ensinar crianças e adolescentes a lidar com ansiedade, frustração, medo e conflitos humanos desde cedo. “Precisamos ensinar o ser humano a compreender a própria mente”, disse.

Cury também defendeu maior presença de programas de inteligência emocional nas escolas, empresas e espaços públicos. “Não existe prosperidade sustentável sem saúde mental”, reforçou.

Ao encerrar sua participação, voltou a defender uma política baseada em diálogo, responsabilidade e construção coletiva. “O Brasil não precisa de mais ódio. Precisa de reconciliação, esperança e projeto coletivo”, concluiu.

Por ACSP - 18/05/2026