12 de dezembro de 2017

Temas em Análise nº 157: Inflação desacelera mais do que o esperado em novembro, gerando cenário favorável para juros ainda mais baixos

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apresentou alta de apenas 0,28% em novembro, frente à elevação de 0,42% registrada no mês anterior, ficando bem abaixo das expectativas de mercado.

Contudo, devido à baixa base de comparação do ano passado, o IPCA acumulado em 12 meses, que corresponde aproximadamente ao resultado anual, registrou aumento de 2,8%, levemente acima do observado na leitura anterior (2,7%).

De qualquer forma, essa desaceleração mensal mais forte do que o esperado pode ser explicada pela intensificação da queda dos preços dos alimentos (-0,35%), representando a sétima consecutiva. Na contramão, continuou pesando os aumentos das tarifas administradas pelo Governo no segmento habitação, tais como as de energia elétrica e do gás de botijão.

Durante o mesmo mês, o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGPDI), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que corresponde a uma medida mais abrangente da inflação, mostrou alta de 0,8%, acelerando frente ao registrado em outubro (0,1%).

Desse modo, e em decorrência do inexpressivo aumento registrado em novembro do ano passado, o resultado acumulado nos últimos 12 meses desse indicador apresentou queda menos intensa (-0,33%), frente ao mês imediatamente anterior (-1,07%). Isto se explica fundamentalmente pelo arrefecimento dos efeitos deflacionários da “supersafra” e pela perspectiva de queda na produção agrícola de 2018, que provocaram menor diminuição dos preços das matérias primas agrícolas (IPA AGRO).

Em síntese, a surpresa baixista do IPCA de novembro fez o mercado mudar a expectativa de inflação deste ano para 2,88%. Esse comportamento benigno da inflação, que também pode ser notado na evolução do IGP-DI, exercerá influência sobre os aumentos de preços de 2018, que tenderiam a permanecer abaixo da meta anual (4,5%), abrindo espaço para, pelo menos, mais uma redução “moderada” dos juros por parte do Banco Central, tal como sinalizado na última ata da reunião de seu Conselho de Política Monetária (COPOM). A ocorrência desse cenário, todavia, dependerá
crucialmente da continuidade do ajuste das contas públicas.